O conto do artista.
Autor: Kevin, O corvo.
O artista era amado por todos.
Mas odiado por si mesmo.
Sempre aplaudindo a escrita dos outros.
Enquanto ele só corrige e muda o próprio texto.
Eles dizem que ele faz coisas maravilhosas.
Ele sabe que não pode se deixar crescer.
Eles lêem denovo e denovo os paragrafos da sua mente.
Mas ele se vê como um poema (que não vale a pena parar pra ler.)
A arte é interpretativa, talvez assim também seja o artista.
Cada um que olha lê nele uma palavra diferente.
Melancolia, amor, arrogância, aceitação, defeito, felicidade.
E nem juntando todas as palavras eles vão entender a frase inteira que descreve essa mente.
A inspiração dele tem cheiro de morango.
Quando ela olha pra cima, o céu parece ficar mais bonito.
Amar doi tanto, principalmente amar ela.
Mas nesse mundo tão dolorido, ela é pra ele o ferimento favorito.
Eles amam o artista? Ou a arte?
Quando alguém conseguir pintar o mesmo quadro?
Esculpir o mesmo rosto? Compor a mesma linha?
Escrever o mesmo parágrafo? Tirar uma foto com o mesmo enquadro?
Será que aqueles que tanto amam vão só pular pro próximo?
Não é muito difícil ter gente melhor, mais divertido.
E mesmo assim eles continuam amando o artista.
Isso não entra na cabeça dele, não faz sentido.
De todas as obras complexas do artista, a mais contraditória é a própria existência.
Uma pessoa que recebe amor de todos os lados e não se sente capaz de aceitar.
Uma pessoa queimada pelo sol com os raios do luar.
Um corvo que tem todo o ar livre sobre sua cabeça, mas fica no chão, porquê não entende oque é voar.
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